domingo, 10 de abril de 2011

Lorotas do corredor de História

O começo de noite nos bancos do campus universitários eram os mesmos. Cada dia, cada hora havia uma rotina específica.

Era o cara da mídia entrando no banheiro superior do Bloco A. Entrava comunicar oficial, saía boleiro fardado de gremista.

Outros estudantes corriam para imprimir o index do dia, pretendendo ler apressadamente, ao mesmo tempo em que comiam salgados assados da cantina infestada de ratos.

Um grupo de estudantes de história cercava um professor gente boa. Nos últimos quarentas anos tinha se tornado um guru de um número expressivo de estudantes.

Outros estavam com discursos inflamados contra a reitoria. Uns olhavam atentamente o desfile das garotas do curso de medicina, odonto, farmácia e direito. Tornavam mulheres em objetos de desejo.

Assim constituía a trajetória cotidiana do campus. Eram histórias vividas. As memórias condenadas a nenhuma importância além das rodas de papo.

No momento de nostalgia voraz, lembro de causos, levados aqui como lorotas do corredor de História. Aguardem.

8 comentários:

Záia disse...

Uma das minhas leituras de “Pais e filhos” da literatura russa seja a de considerar que cada geração se considera melhor que as demais. Num sei se o professor mencionado seja o Afonso, a se encaixar na descrição, uma grande pessoa, não só como amigo, mas como grande professor.
Penso que eles estão no momento deles. De achar tudo! O futuro dirá.

“ memórias condenadas a nenhuma importância além das rodas de papo”? Será?

Anônimo disse...

A ideia das "Lorotas..." não tem nenhuma relação com julgar ou pensar em qual geração é melhor, qual momento foi o mais rico, questionadora, ou qualquer coisa assim.

A proposta é só contar histórias, sem nenhum preocupação acadêmica, tendo como base o desejo de despertar um riso e provocar. Um exemplo é classificar o Afonso como guru, termo que ele odeia.

Menos ainda a pretensão é fazer de histórias engraçadas (ou sem sentido) temas filósoficos de mesa de boteco com cerveja barata.Pois isso é mto estudante universitário bobão.
Maikon K

www.amor-armado.blogspot.com

Filipe Ferrari disse...

Pô Maikon,

mas quem lê assim, através da tua escrita, nem parece que você viveu e fez parte de 99% do que tu escreveu aí :)

Cibele disse...

é... mas nessas "lorotas" há muita poesia, muita criação, muita vida, muita incoerência, muita "picuinha", muito amor, livre ou não... enfim! muitas coisas boas!

eram assim na sua/nossa época, e ainda são. exatamente como eram e aposto que sempre foram(não sei se o S ainda usa o banheiro, mas enifm)

as pessoas mudam, as ideologias mudam, as modas e os ícones mudam, mas as relações giram em torno das mesas coisas... e aí está a poesia da história! cada "geração" naquele corredor constrói a mesma coisa, de um jeito diferente...

e pra quem agora tá de fora, fica uma saudade, mesmo que tente-se escondê-la...

Maikon K disse...

Olá.

1ª) Foi a minha maneira de escrita, um tom mais de crônica, o que não me obriga colocar como protagonista de nada. Cabe a cada leitor-a imaginar ou afirmar o meu envolvimento.

2ª) Em nenhum momento quis determinar que uma geração é melhor que a hora. Só quis contar história, como aqueles velhos reunidos nos bares, que contam histórias e causos.

3ª) Não acredito que "as relações giram em torno das mesmas coisas". Cada momento é um momento.

É por isso que não se trata de saudades ou nostalgia, é somente contação de história da constante formação de vida.

Sinceramente, não tenho que ficar explicando nada, argumentando. Cada um entende e interpreta como deseja.

Abraço
MK

Filipe Ferrari disse...

Esse 3 comentário foi bem sandrinista. Vai nos chamar de reducionistas agora? hahaha!

E Maikon, a partir do momento em que se publica algo, subentende-se que se está disposto a críticas.

Quando você quer contar histórias e causos, é claro que você tem que se colocar em algum lugar. Ainda mais se é sabido que você realmente vivenciou tudo isso.

E como não é nostalgia? Tu mesmo disse no texto que era!

E realmente não precisa explicar nada. A interpretação é aberta, mas achei que a minha interpretação/opinião talvez te importasse. Se não, pra quem um blog com comentários abertos? Ou então pra que um blog? :)

Abraços, de verdade,

Filipe

Maikon K disse...

Desculpa, tem razão. é por nostalgia.
Eu tenho o blog por ter, ultimanente é simplesmente por satisfazer o desejo de ter, não me sentir fora das redes sociais, na mesma medida que alguém compra uma calça da moda só por ter. nada demais, é um simples desejo de satisfação banal.
Em relação a contação. eu posso me colocar como narrador, que é influenciado pelas vivencias e contextos , logo seleções e observações.
Sim, em determinados aspectos as suas opiniões são válidas, mas pra isso não preciso de um blog, posso escrever, ligar ou encontrar pessoalmente e perguntar: "Filipe, o que vc pensa sobre isso ?"

No mais, era isso, de verdade.
:-)
Maikon K

Filipe Ferrari disse...

Estou esperando o convite então ;)

Abraços!